terça-feira, 30 de julho de 2019

Trocando Ideia | A profecia se fez como Previsto + ONG Social Skate ameaçada

Por: Charles Roberto
O ano era 1997 e, Sandro Soares, hoje conhecido como Testinha, era um jovem de apenas 19 anos ao lado de Leila Vieira, que na época tinha 16 anos. Hoje, sua atual esposa, mãe de dois filhos e pedagoga. Juntos jamais imaginavam que teriam uma família e comandariam uma das instituições mais respeitadas no uso do skate como ferramenta de inclusão social do país. A ONG Social Skate. 
 

Neste mesmo ano de 1997, também era lançada a música Capítulo 4, Versículo 3, do disco Sobrevivendo no Inferno, do Racionais MCs, que traz em sua letra o cotidiano turbulento nos guetos da capital paulista. Situação vivida por muitos jovens da periferia. Justamente o objetivo de combate que a ONG traz em seu DNA, uma vida melhor para essas crianças.

E, todo o trabalho que a ONG realiza nesses 8 anos de existência se funde com o título do texto “A profecia se fez como previsto”. Segundo o presidente da ONG, Sandro Testinha: “Em uma recente postagem um seguidor em nossas redes sociais comentou com essa frase da música “A profecia se vez como Previsto” se referindo a nossa missão na ONG”, explica. “Quando li, refleti, e cheguei nesta conclusão que tinha tudo a ver”.

Hoje, aos 41 anos de idade Testinha e Leila coordenam a ONG Social Skate – a profecia se concretizou – uma entidade que fundaram em 2011, atendendo a época 40 crianças, sempre aos finais de semana. Oferecendo aulas de skate para crianças da comunidade.

Em 2019, os números são outros, e o método de atendimento também. A Social Skate tem mais de 100 alunos (150) entre crianças e jovens e oferece um leque de atividades, acompanhamento escolar, familiar, entre outros cuidados que o poder público se ausenta de prestar para parte da população, “principalmente para as crianças e jovens de bairros periféricos”, revela Sandro.

O jovem que hoje é atendido na ONG Social Skate, após realizar o cadastro, totalmente gratuito, tem direito, ao contra turno escolar, das seguintes atividades: skate, futsal, iniciação esportiva, circo, teatro e ballet. Ou seja, da pra se aprender atividades variadas todos os dias e ocupando a ociosidade deles, impedindo e dificultando o contato com os males que os permeiam como a drogas, violência, criminalidade etc. 
 

Atendimento

As manhãs das segundas-feiras, começam com as aulas de futsal seguido de atividades com o skate.

As terças-feiras, é dia de mais skate e, posteriormente, as divertidas circenses.

Nas quartas-feiras, são os dias delas, só das meninas, que se interessam por um dos esportes mais praticados do mundo: o skate. E, tem garotas se destacando. Atualmente são aproximadamente 30 jovens.

Nas quintas-feiras, além do skate, os alunos participam das aulas de teatro, onde no lançamento do projeto, no início do ano, encenaram uma peça contando a história da ONG Social Skate.

Nas sextas-feiras, a radicalidade do skate se une a delicadeza do ballet. Esse contraste chama a atenção de quem passa pela rua da quadra onde as atividades são realizadas.

Já aos sábados, dia de descanso na escola, tem o grande encontro na quadra onde todos se reúnem para andarem juntos e mostrarem o que aprendem durante a semana. O sábado, também é dia de receber visitantes que chegam para conhecer o projeto e andar de skate com a criançada.
 

Números

São quase 200 atendimentos semanais realizados pela equipe da ONG, que hoje conta com quatro professores e cinco instrutores oferecendo, além das atividades gratuitas, todo material necessário para a prática das modalidades.

Eles também têm um lanche diário para reporem a energia gasta. Tudo de graças para eles e com apoio das empresas NIKE, EDP Energia Elétrica e Centauro, por meio da Lei Paulista de Incentivo ao Esporte, FUNCAD Municipal de Poá e Marketing Direto.

“Certa vez me peguei pensando em por que realizamos quase que involuntariamente essa árdua missão de levar o esporte e educação onde quase nunca chega, cheguei à conclusão que era um sentimento interno de querermos ter participado de algo assim e não termos tido acesso, mas como a frase lá no inicio bradou… A Profecia se fez como previsto…

Sandro Soares, o Testinha, fala sobre o risco que a ONG Social Skate está correndo. É o poder público trabalhando contra a sociedade. Check & play:



Fonte: CRS Comunicação, Cemporcentoskate.

Goiânia Crew Attack 2019 | #GCA2019


Goiânia Crew Attack 2019
Dias 16, 17 e 18 de Agosto
BASE Ambiente (Rua 3, 84, Centro)
- Premiação de R$ 2mil em grana (+ material) pras Crews vencedoras (Masculino e Feminino).
- Premiação também até o terceiro colocado em material
- Novos obstáculos
- No Bananada:
- After Party oficial do GCA. Os integrantes das Crews com mais de 18 anos ganham ingressos pro Festival
- Disputas de Best Trick dentro do Festival durante os três dias

Formato
Um campeonato interativo e dinâmico, de pontos corridos.

• As Crews devem contar com no mínimo três e no máximo cinco skatistas.
• Acontecerão cinco baterias no formato Jam Session em cinco sessões da pista.
• Cada integrante da Crew se inscreve em uma bateria e os pontos vão se somando e sendo anunciados no decorrer do evento.
• Cada bateria ocorrerá em um obstáculo pré-definido e divulgado antecipadamente.

Não à institucionalização: As crews devem ser de amigos, sem filiação direta a uma instituição (marca, loja, igreja...)

Premiação
1º lugar Masculino: R$ 2.000 + premiação em material
1º lugar Feminino: R$ 2.000 + premiação em material

2º lugar Masculino: Premiação em material
2º lugar Feminino: Premiação em material

3º lugar Masculino: Premiação em material
3º lugar Feminino: Premiação em material

Inscrições: R$ 300 por Crew
Inscrições limitadas. Mande sua inscrição para o e-mail contato@ambienteskateshop.com.br .

A Ambiente, se orgulhamos de todo ano realizar o GCA e colocar Goiás no mapa dos maiores eventos de skate do país. Se liga como foi a ultima edição:

Goiânia Crew Attack 2018 (CemporcentoSkate)



Goiânia Crew Attack 2018 (BlackMediaSkate)



#gca2019
Apresentação: DC
Patrocínio: Chillibeans, Element e Volcom
Apoio: Crail, Drop, Improve, Santa Cruz e Thrasher
Parceiro: Festival Bananada
Realização: Ambiente Skate Shop

[BAÚ] Igor Calixto | Próximo e entrevista exclusiva

 

[BAÚ] “Próximo” é o vídeo independente que o skatista profissional Igor Calixto está lançando com exclusividade em parceria com a Tribo Skate.

O vídeo é dedicado a mãe e o irmão de Igor, que faleceram recentemente.
Assista ao vídeo e leia a entrevista com o brasiliense. Check & Play:


Por Sidney Arakaki
Como foi a première do “Próximo” semana passada?

Conseguimos reunir uma premiação legal. A gente ficou até surpreso, porque veio muita gente. Foi muito bom, fiquei surpreso com a quantidade de gente que colou. Conseguimos colocar um som com algumas parcerias da federação de skate aqui de Brasília. Forneceram som, forneceram obstáculos ali no Bancário. E fizemos várias brincadeiras.

E no começo da noite rodei o vídeo ali. Botamos umas cadeiras e rolou na área central do Bancário mesmo. Foi bem legal.

Na verdade, você está lançando duas partes simultâneas. Tem essa, o “Próximo”, e na semana que vem o da Simple. Qual a diferença, quais os critérios pra separar as manobras pros projetos?

Exato. Em abril a gente finalizou as filmagens da Simple. Foi o ‘dead line’ que o Leo Coutinho – que está editando; falou que a partir daquele momento não era mais pra enviar imagens. No final de julho eu fui na Simple pra assistir minha parte e tinha muitas coisas boas que tinham ficado de fora. Perguntei pro Leo por que ele não ia usar e ele disse que era pra não deixar muito grande o vídeo. O bruto que ele colheu ali da edição da Simple já tinha mais ou menos 3 minutos e 40 segundos, da edição que ele fez. E ele achou melhor não prolongar. E eu assisti e curti também. Essas imagens que sobraram, eu estava indo viajar com o (Pedro) Iti pra Campo Grande. A gente ia filmar mais lá, e nesse meio tempo eu tive essa ideia das imagens que tinham sobrado e eram boas, e também filmando os dez dias que fiquei em Campo Grande, eu devia ter um material bom pra lançar outra parte. E a diferença é que a parte da Simple, na verdade, é uma parte mais completa. Tem cara de vídeo grande, de ‘full length’. Me esforcei mais, desci corrimão, escadas, tudo isso. E o “Próximo” foi legal também que eu tive um material do skate que eu gosto de assistir, de ver alguma coisa mais técnica. Com mais bordas, mais manuals, essas coisas. É o skate que eu me identifico. Mas o da Simple é uma parte bem mais completa. Na verdade, acredito que é uma parte diferente do meu skate. Me puxei de uma forma pra deixar ele mais completo.

Esse vídeo se chama “Próximo” por que?
São diversos fatores que se unem. O principal, por ser dez dias antes do vídeo da Simple. Próximo por estar perto do vídeo da Simple. Próximo por estar fechando um ciclo, que fui amador por bastante tempo. O vídeo meio que sela isso, que o vídeo da Simple é o meu primeiro como profissional pela marca. Vão sair os pro-models. E também por ter sempre o desejo, dizer “esse vídeo fica pro próximo”. Porque eu queria filmar tal coisa. E aí, meio que faz essa semelhança, com esse tipo de ideia, de sempre ficar pro próximo. Então o Próximo é sempre o próximo passo.

Você viajou bastante pra produzir os vídeos.
Na verdade, pro Próximo foi uma viagem já específica. Pra Campo Grande, eu já tinha uma ideia de filmar pro vídeo Próximo. Mas pros dois vídeos eu viajei bastante. Aqui no Brasil eu viajei pra Belo Horizonte, Cuiabá, São Paulo, Goiânia. E pra fora, tem imagens em Paris, Barcelona e na Suíça. 

Backside nollie switch k-grind em Barcelona. (Paulo Tavares)

Você é um cara que sempre viajou bastante pra andar de skate.

Desde que eu tive a consciência de que eu moro numa cidade que é fora do eixo do skate, na verdade. A gente tem os melhores picos aqui em Brasília. Muitos picos bons, muitas marcas fazem tours pra cá, pra explorar os picos. Sempre foi muito bom pra andar de skate aqui. Mas a gente é meio esquecido no centro-oeste. A gente, na verdade, precisa dessa movimentação. Eu já cheguei a ficar bastante tempo seguido em São Paulo, numa época que eu tive patrocínio de uma marca de São Paulo. Então eu fiquei um bom tempo, cerca de um ano sem voltar pra Brasília. Mas eu gosto muito de andar de skate aqui. Então eu preferi estar viajando do que fixado, entende?

Entendi. Mas dizem que Brasília é a cidade do Brasil com mais picos de rua. Você considera isso também?

Eu considerava, mas depois que eu fui pra Campo Grande, eu tenho minhas dúvidas. Porque Brasília é muito bom pra um tipo de skate. A gente tem uma área que são os eixos Sul e Norte, Asa Sul e Asa Norte, que tem uma área de comércio muito grande. Por exemplo, são 16 quadras que se dividem em quatro. Cada quadra tem quatro blocos de comércio. E nesses quatro blocos são muitos picos. Tem muitas escadas e muitos corrimãos. Então, pra esse tipo de skate específico. Mas aqui a gente não tem tantas bordas, alguns picos técnicos. Mas pra esse tipo de skate de pulo, de corrimão, é muito bom.

Você carrega essa característica dos picos de Brasília?

Cara, eu acho que hoje em dia não. Engraçado é isso, eu gosto de assistir um tipo de skate, de ver uma galera de uma forma, mas na hora de andar, eu me identifico com outro, que é o skate mais técnico. Acho que talvez pelo tempo que eu passei em Barcelona, de andar muito em borda, no solo. Até mesmo no Bancário, que eu gosto de fazer muito solo. Mas só quando eu tô realmente focado pra um objetivo, como foi pro vídeo da Simple. Eu queria ter uma parte bem completa mesmo, pra ter pulos e corrimão também. Eu não acho que eu me identifico tanto com esse skate.

E quem te influencia, que você gosta de assistir?

Eu assisto bastante Anthony Van Engelen. Os caras que eram do time da Alien Workshop, eu gosto bastante de ver, Gilbert Crockett. Eu gosto de ver os caras que andam rápido, andam nos picos diferentes. Mas na hora de andar, pelo prazer de algumas manobras, eu gosto de bordas, manual, solo. 

Backside flip em Cuiabá. (Diego Almeida)

Quando você começou a falar que anda de um jeito e gosta de assistir outro, já me lembrei do Anthony Van Engelen. De alguma forma, lembrou um pouco seu skate e o dele.

Falando em Alien Workshop, você é um cara que se interessa bastante por artes gráficas. Você trabalha com isso?

Eu trabalho voltado pro skate. Quando algum amigo precisa de uma arte, produzir uma coleção pra uma loja de skate, de roupa. Mas eu gosto de fazer umas paradas mais voltadas pro skate. Até lanço umas ideias ali na Simple. Por mais que a maioria não entre porque já tem os designers da marca. Eu faço freelance quando surge, mas eu não trabalho fixo com as artes.

Você estudou?

Eu me formei em design gráfico em 2011.

Em Brasília mesmo?

Isso, em Brasília. Na verdade, eu fiz um curso intensivo, de manhã e de tarde. Eu queria acabar rápido, pra poder ter tempo livre pra andar de skate. Eu estudava pela manhã e pela tarde.

E esse curso foi influenciado pelo skate?

Não. Por incrível que pareça, não. Eu sempre desenhei, na verdade. Eu me identificava, mas quando eu comecei a fazer o curso não tinha conhecimento nenhum de design. Eu só gostava de desenhar, fazer graffitti e tal. Eu fui por influencia de uma ex-namorada, a família dela meio que pesava na minha pra eu ter uma formação. E eu fui pesquisando algo que tinha a ver comigo. Encontrei o design, e na primeira semana do curso eu curti muito e achei que era a minha cara.

Na cultura do skate você acompanha bastante coisa desse lance de design?

Acompanho tudo. Na verdade eu gosto de ver desde os anúncios das marcas, até cada coleção. As primeiras visitas do dia em sites é saber o que as marcas estão fazendo de coleção. Tem um site que lança todos os lookbooks, as paradas das marcas, todos os dias. Diariamente eles postam de alguma marca. Eu acompanho os artistas que também colaboram.

Mas você acompanha mais esse lado comercial ou lado cultural também?

Acompanho os dois. Eu vejo o lado comercial pra saber o que está acontecendo na rua, o que está saindo, o que a galera está usando. Mas, do lado cultural, eu já vou direto nos outros sites, que não agregam nenhuma empresa. Mais sites de design e arte mesmo. 

Frontside pop shove it. (Wanderley Vieira)

E é uma área que você quer trabalhar algum dia?

Com certeza.

E o seu pro-model?

A gente tinha esse acordo de quando o vídeo da Simple saísse. Mas eu sou um cara bastante ansioso, e por esse fato, desde o começo do ano eu não perguntei mais nada. Como eu já sabia que tinha esse projeto de sair junto com o vídeo da Simple, eu não procurei saber mais nada. Pra ficar bem na surpresa mesmo. Mas a galera que trabalha ali dentro diz que já viu alguma coisa. 

Nollie backside nosebluntslide em Belo Horizonte. (Wanderley Vieira)
 Fonte: triboskate